A Voz do Bispo › 27/12/2018

Sagrada Família: Jesus, Maria e José

O primeiro domingo, depois do Natal, a liturgia católica o dedica à Sagrada Família: Jesus, Maria e José. Isso que se diz da família de Nazaré, pode ser aplicado a todas as famílias? Toda a família tem algo de sagrado?

Não tenho dúvidas que sim. Não porque seus membros sejam perfeitos, mas porque a intimidade de vida que se cria entre as pessoas que constituem família tem sempre um quê de ‘sagrado’, profundamente pessoal e comprometedor.

Contagiados pelo espírito natalino, a festa da Sagrada Família vem trazer um gostinho todo particular da vida que brota da família.

Devemos reconhecer que a família, hoje, sofre fortes investidas e ataques violentos na sua vocação original de célula da sociedade, primeira e insubstituível instituição natural.

Em tempos de ditadura do relativismo, ninguém se escapa da crítica, do questionamento, dos ataques inescrupulosos daqueles que querem fazer de si mesmos e de seus impulsos desordenados, regra de vida para todos.

É verdade que aquela família certinha: pai, mãe, filhos, avós, netos não é mais tão pacífica. Chegamos a um ponto tal que anormal parece ser o casal que viver na fidelidade e na fecundidade o seu amor conjugal.

Ao armar sua tenda entre nós, Jesus o fez no seio de uma família, exatamente para valorizar e dignificar essa pequena comunidade humana e mostrar-nos quanto ela é significativa e essencial à sociedade e Igreja.

Na Sagrada Família encontramos os elementos que inspiram o ideal da vida em família: amor, respeito, humildade, paciência, compreensão mútua, perdão, diálogo, doação… Basta pensar o fato narrado no evangelho da liturgia desta festa: a perda e o encontro de Jesus entre os doutores da Lei e sua resposta aos pais desesperados.

Se os nossos jovens entenderem que para constituir família é necessário estar imbuídos desses valores e atitudes, bem diferentes serão as novas famílias. Mesmo quem não teve uma família “ideal” pode sonhar em construir um ideal de família, como presente de Deus. O Documento de Aparecida é enfático:

“A família, ‘patrimônio da humanidade’, constitui um dos tesouros mais valiosos dos povos latino-americanos. Ela tem sido e é o lugar e escola de comunhão, fonte de valores humanos e cívicos, lar onde a vida humana nasce e se acolhe generosa e responsavelmente” (302).

“Deus ama nossas famílias, apesar de tantas feridas e divisões. A presença invocada de Cristo através da oração em família nos ajuda a superar os problemas, a curar as feridas e abre caminhos de esperança” (119).

A família que acolhe a vida como dom de Deus torna-se santuário da vida, viveiro da humanidade, jardim de Deus onde nascem e crescem as flores mais belas e totalmente originais. Essa é condição para celebrar o Natal.

 

Para refletir:

1. Como é minha família?

2. Como me encontro nela?

3. É como gostaria que fosse?

4. O que eu posso fazer para torna-la melhor?

 

Textos bíblicos: Eclo 3,3-7.14-17ª; Cl 3,12-21; Lc 2, 41-52; Sl 127 (128) 1-5.

 

 

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