A Voz do Bispo › 06/10/2017

A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída

Outubro para nós católicos no Brasil é o mês missionário, ou seja, somos chamados a volver o nosso olhar e coração para o desafio de fazer chegar a todos os homens e mulheres a Boa Notícia do Evangelho.

Esse ano, em função da preparação do 5º Congresso Missionário Americano que deve ocorrer em julho de 2018, em Santa Cruz dela Serra-Bolívia, fomos desafiados a preparar esse evento com um Congresso Missionário Nacional que realizamos de 7 a 10 de setembro em Recife. Em nosso Regional achamos por bem trabalharmos a questão da animação missionária com um Congresso Missionário Regional. Fizemos isso refletindo e rezando o tema: “A alegria do Evangelho para um Igreja em saída” no final de julho.

Nosso objetivo principal é dar novo impulso as Igrejas do Brasil para um dinamismo de saída e caminhar juntos no testemunho da alegria do Evangelho, da comunhão e do profetismo, no desejo de comprometimento com “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem” (GS 1).

O cartaz do Congresso que repetimos na Campanha Missionária deste mês que está em nossas igrejas, evidencia os diferentes sujeitos da missão com suas diversas idades e etnias que caminham juntos depois de terem sido encontrados por Jesus Cristo. A arte visualiza uma igreja toda em saída, partindo para dialogar e testemunhar a alegria do Evangelho até os confins da terra, com particular atenção as periferias do mundo, em uma atitude de misericórdia e serviço para colaborar no processo de construção de uma sociedade mais justa, solidária e fraterna.

A identidade do cristão deve ser a alegria: a admiração diante da grandeza de Deus, do seu amor, da salvação que doou à humanidade não pode deixar de levar o crente a uma alegria que nem sequer as cruzes da vida podem afetar, porque também na provação há a certeza de que Deus está conosco.

A alegria do Evangelho tem seu fundamento no encontro com Jesus ressuscitado. Essa experiência deve ser anunciada a todos. Por isso exige a dinâmica do êxodo e do dom, de sair de si mesmo, de caminhar e semear sempre de novo e sempre mais além, procurando acender o fogo no coração do mundo.

A missão Ad Gentes sempre foi e sempre será a grande tarefa da Igreja, assumida por suas comunidades, por vezes, com certa resistência, com a desculpa que “tudo o que fazemos é missão”.  Missão significa partir, sair, enviar. Portanto pressupõe um ponto de partida e chegada e uma tarefa.

O ponto de partida é Deus Pai, que envia o Filho e o Espírito Santo, que envia à comunidade destinatária e protagonista do anúncio do Evangelho. Os membros das comunidades são convidados a sair, a ir ao encontro dos outros irmãos e irmãs, até os confins do mundo. O ponto de chegada é a alegria da vida plena no Reino de Deus. E a tarefa é proclamar a proximidade desse Reino anunciado, convidando as pessoas a se tornarem discípulos de Jesus, seguidores do Evangelho e anunciadores do seu Amor.

Missão vem também de ‘Missio’ que significa libertar, deixar andar, soltar. Por isso o envio tem tudo a ver com liberdade e libertação. O Reino de Deus precisa andar solto. O Espírito é como um rio: precisa ir a procura do mar, pelos caminhos que só Deus conhece.

A Igreja não é feita para ficar apenas em suas instituições e estruturas, mas para estar em movimento, pegar fogo e se lançar ao mundo. Essa é sua natureza: ser uma Igreja em saída.

Como afirma claramente o Pe. Jaime Patias, “a saída missionária exige purificação, atitude penitencial e uma profunda conversão. Impõe-se uma conversão radical da mentalidade para nos tornarmos missionários; trata-se de sair de nossa consciência isolada e de nos lançarmos, com ousadia e confiança à missão de toda a Igreja, abandonando estruturas caducas, transformando as pessoas, assumindo relações de comunhão, adotando práticas pastorais missionárias, projetando-se além-fronteiras.

A campanha missionária deste ano com esse tema e com os vários subsídios que temos a disposição deseja despertar em todos nós –  padres, religiosos, leigos e leigas, jovens e adultos, crianças e adolescentes – um dinamismo novo de ir ao encontro das pessoas levando a alegria que brota do encontro com Jesus.

Esse é o fruto que Deus espera que produzamos como novo povo de Deus a quem confiou a sua vinha.

Vamos conversando em nossos grupos, quem sabe assistindo alguns dos testemunhos missionários que o DVD da Campanha apresenta e que pode ser acessado também pelo site das POM (www.pom.org.br). Certamente nos ajuda a entrar no espírito missionário, dimensão importante da nossa vocação cristã.

A pratica da Infância Missionária de uma Ave Maria por dia e uma moeda por mês (que pode ser por semana ou mesmo por dia) pode ser um indicativo oportuno para revigorar nosso espírito missionário.

Portanto, o mês missionário é um período de intensificação das iniciativas de animação e cooperação missionária. Para tanto, convido você a contribuir com a coleta no Dia Mundial das Missões, que ocorrerá nas celebrações de todas as comunidades, no penúltimo final de semana de outubro, nos dias 21 e 22. Todos os recursos arrecadados são utilizados para a animação e cooperação missionária em todo o mundo, pois é uma coleta universal.

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório

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