A Voz do Bispo › 17/12/2021

Encontros que edificam

Todos nós já fizemos alguma experiência de como é bom e bonito encontrar pessoas queridas, que ao saudá-las faz estremecer o coração e exultar de alegria. Isso é ainda mais forte quando o encontro acontece depois de muito tempo de espera devido as circunstâncias.

Quem foi mais esperado que o Messias prometido por Deus a seu povo através dos profetas que muitas vezes anunciaram a vinda do Salvador da humanidade e que traria a paz ao mundo? Dizem que era sonho de toda mulher judia ser mãe dele. Não sabemos se esse era o sonho de Maria. Certamente, como uma israelita fiel sabia da expectativa de sua chegada.

Esse tempo chegou e se manifestou aos pequenos e num primeiro momento, de modo muito especial se deu a conhecer misteriosamente à essas duas mulheres humildes e cheias de fé. A bendita anciã Izabel que nunca desistiu de esperar no Senhor e na bem-aventurada jovem que acreditou na promessa do anjo enviado por Deus.

Maria depois de ter concebido por obra do Espirito Santo e sabendo por meio do anjo que sua prima Isabel também estava gravida e passava necessidade correu até onde morava para prestar-lhe a ajuda necessária. Esse encontro é paradigmático para todos os cristãos.

Paradigmático porque as motivações dessa visita refletem a sensibilidade e gratuidade de Maria e a docilidade da prima Isabel que acolhe de bom grado e com muita alegria a disposição da parente que chega com o único objetivo de se fazer solidária. Quem sabe um pouco de curiosidade de verificar o segredo revelado pelo mensageiro.  E ficou por lá ela dar a luz a João Batista. Podemos dizer que fez o serviço completo.

Esse encontro foi de uma comunicação tão intensa e forte que o Joãozinho estremeceu de alegria no ventre de sua mãe. Tudo isso provocado pela outra mãe que trazia também no seu ventre o apenas concebido Filho Unigênito de Deus que vinha para trazer a paz e a salvação do mundo inteiro.

Diz Lucas que Isabel com a chegada de Maria – que trazia Jesus – ficou “cheia do Espirito Santo” e com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” Depois conclui com a felicitação: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.

Estamos às portas do Santo Natal, tempo para reconhecer a presença de Deus em nosso meio, revelando-se, também hoje, aos mais simples e pequeninos: numa idosa que se alegra com uma visita gratuita de alguém e numa jovem disposta a transpor montanhas e percorrer quilômetros no desejo de solidarizar-se e fazer o bem sem olhar a quem. A meditação serena e simples desse texto pode nos sugerir encontros e iniciativas originais para preparar-nos a celebrar com jubilo e alegria o mistério da Encarnação do Verbo da vida.

Para refletir: Olhando minha vida, consigo visualizar algum encontro que me deixou feliz, mais humanizado/a e com o desejo de ser melhor? Quem poderia visitar com o único objetivo de manifestar solidariedade nesses dias, como gesto natalino? Costumo valorizar os encontros do cotidiano? Consigo ver a presença do Senhor neles?

Textos bíblicos: Mq 5, 1-4; Hb 10, 5-10; Lc 1, 39-45; Sl 79(80).

 

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