A Voz do Bispo › 07/04/2022

Educar é evangelizar e evangelizar é educar

Com a celebração do Domingo de Ramos, entramos na Semana Santa que vai culminar com o Tríduo Pascal, onde fazemos memória e atualizamos para o aqui e agora o Mistério da nossa Salvação: a Crucificação, Morte e Ressurreição de Jesus que com seu “sim” reconciliou todas coisas, estabelecendo a paz.

Concluindo a nossa reflexão sobre as provocações da Campanha da Fraternidade, chegamos ao agir, ou seja, o que podemos fazer para ajudar na consecução de uma educação de qualidade para todos. Participar em modo consciente da coleta da solidariedade é um aspecto importante, mas não único para alcançarmos os objetivos que a Campanha se propôs.

Com as palavras de Jesus ‘Vai, e de agora em diante, não peques mais’ não só a mulher não foi apedrejada, mas todos os que estavam envolvidos naquela cena, inclusive nós hoje, saímos educados por Ela e capacitados a falar com sabedoria e ensinar com amor, cientes que não há verdadeira misericórdia sem correção. “É pela força da Palavra de Deus que nasce um estilo de vida que favoreça o nascimento da cultura do encontro e da fraternidade como resposta de um processo educativo integral que forma para o serviço ao próximo” (222).

Nessa mudança de época que vivemos, precisa de pessoas novas, dispostas a servir na comunidade, com um projeto de vida marcado pela fé em Deus e na vivência dos valores cristãos, sempre focado no bem de todos e não somente de alguns. “Uma educação frutífera não depende primeiramente da preparação do professor nem das habilidades dos alunos, mas da qualidade do relacionamento que é estabelecido entre eles” (239). Isso é muito importante.

É de suma importância também reconhecer que “para educar para o Humanismo Solidário e construir a Civilização do Amor é necessário: promover a cultura do diálogo, globalizar a esperança, buscar uma verdadeira inclusão, criar redes de cooperação” (239).

Assumir, como queria Dom Bosco e outros santos fundadores com seu projeto educativo, de formar “bons cristãos e honestos cidadãos”, sem dicotomias, acreditando que ‘educar é evangelizar e evangelizar é educar’. Sim, tanto educar como evangelizar é iniciar processos a partir de pequenas coisas, jeitos, posturas, encontros, atitudes de acolhida.

Nada mais sábio que começar pela família: “O lar é chamado a viver e a cultivar o amor recíproco e a verdade, o respeito e a justiça, a lealdade e a colaboração, o serviço e a disponibilidade para com o próximo, especialmente com os mais frágeis. O lar cristão, que deve manifestar a todos a presença viva do Salvador no mundo e a natureza autêntica da Igreja deve estar impregnado da presença de Deus, colocando nas suas mãos as vicissitudes cotidianas e pedindo sua ajuda para cumprir de maneira adequada a sua missão imprescindível” (276).

Todos chamados a acolher o amor misericordioso de Deus, manifestado na Páscoa, é o compromisso de passá-lo adiante falando com sabedoria e ensinando com amor.

 

Para refletir: O nosso lar manifesta a presença viva do Salvador? Compreendo a importância e a incidência que tem os valores plantados em família em todos os momentos da vida desde a sua concepção? Consigo perceber a íntima relação entre educação e evangelização? Onde isso pode ser percebido? Como se manifesta?

 

Textos Bíblicos: Is 50, 1-7; Fl 2, 6-11; Lc 22,14-23,56; Sl 21(22)

 

 

 

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