5 setembro de 2010

 
  Página Inicial
  Nosso Bispo
  A Diocese
  Palavra do Pastor
  Agenda
  Padres
  Paróquias
  Seminário

  Estabelecimentos

  Com. Religiosas

  Pastorais
  Cons. Diocesano
  Mensagens
  Notícias
  Missas
  Biblia On Line
  Catequese
  Liturgia das Horas
  Coletas
  Relatórios
  Curso de Noivos
  Links
  Suporte
  Fale Conosco


Marta e Maria que está em cada um

16/7/2010
 

         O evangelho deste domingo, chamado o domingo da hospitalidade Lc 10, 38-42 nos narra a acolhida que Marta e Maria dão a Jesus. Se acolher é sinal de fidelidade ao novo mandamento, hospedar o outro é hospedar o próprio Cristo: “Tudo o que tiverdes feito a um destes pequeninos foi a mim que o fizestes” (cf. Mateus 25, 35-36).
         É bom notar que esse texto vem logo após a narrativa do bom samaritano que meditamos na semana passada e nos mostrava como o caminho da vida eterna é o caminho do amor a Deus e ao próximo, deixando bem claro que o próximo é todo aquele que passa por uma situação de necessidade e que clama por solidariedade. Não se trata de palavras mas de gestos concretos de cuidado, de atenção, de sensibilidade, de parada para acudir, gastar tempo com o outro na gratuidade, poderíamos dizer que é fazer bem o bem que somos chamados a fazer.
         O texto é muito simples e breve, descreve o modo diferente e complementar de Marta e Maria acolher Jesus. Marta toda atarefada em preparar a comida e Maria sentada aos pés de Jesus escutando-o. E Jesus acaba dizendo a Marta que se preocupa com muitas coisas e que Maria escolheu a melhor parte.
         A finalidade de Lucas é mostrar duas atitudes, ambas importantes, no acolhimento de Jesus: o serviço generoso de Marta e a escuta atenta de Maria. Jesus não diz que uma fez certo e a outra errado. A tradição cristã sempre viu nelas duas atitudes igualmente necessárias e complementares: a ação e a contemplação; o serviço da palavra e o serviço generoso e solidário ao próximo.
         O discipulado não é só serviço aos outros, por mais importante que seja, mas também dedicar tempo para ouvir a palavra do Mestre e dele aprender continuamente. Esse é o sentido do estar aos pés de Jesus. Era o que faziam os discípulos no judaísmo do tempo de Jesus.
         O evangelista Lucas (único que narra esse fato) não pretende contrapor a contemplação de Maria e a ação de Marta, mas ressaltar a atitude essencial e distintiva do discípulo/a, ou seja, a escuta da palavra do Senhor é condição para que o serviço não se torne estéril agitação. Lembremos que num outro texto Jesus declarou “felizes os que ouvem a palavra e a põem em prática”.
         São várias as mensagens que podemos tirar para nós desse breve texto. Primeiro que os afazeres da casa, a preocupação em servir bem é uma coisa boa, mas não deve impedir de buscar o crescimento na fé, obtido especialmente pela escuta e meditação da palavra. Quantos irmãos e irmãs nossos católicos dizem não participar das celebrações da comunidade e dos encontros de grupo porque não tem tempo. Não esqueçamos que tempo é questão de prioridade. Para aquilo que se valoriza se acha tempo. Essa desculpa não gruda mais, precisa achar outra. E eu pergunto: é falta de tempo ou pouca fé?
         É bom hospedar e cuidar bem das pessoas. Lembremos o belo fato da vida de Abraão que sem saber acolhendo bem os hospedes, recebe a benção de Deus, a graça da fecundidade. Como diocese, nos encontramos numa situação privilegiada, temos uma ocasião constante de exercermos a hospitalidade. São muitas as pessoas que passam por nossas comunidades, especialmente as marítimas.
         Nossa hospitalidade e bom trato com os veranistas é o melhor marketing que podemos fazer, desde que os acolhamos como pessoas, irmãos e irmãs nossos e não como simples consumidores. E as pessoas percebem o espírito que nos anima quando se encontram conosco.
         Mas o mais fundamental é acolher o dom que é a palavra de Jesus. Por isso Ele afirma: “Uma só coisa é necessária e Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada”. Se perseverarmos nessa escola, como discípulos do Mestre Jesus, aprenderemos dele não só a forma correta de acolhermos, mas também o jeito de evangelizarmos, comunicando pelo encontro pessoal a fé cristã que liberta e salva.
         A palavra de Deus, revelada em Jesus, é o pão da vida. Quando a escuta da Palavra está acima de qualquer interesse, a vida se propaga espontaneamente e o Reino de Deus acontece. 
         É bonito dar-se conta e reconhecer que todos temos um pouco de Marta e de Maria: desejo de fazer e ao mesmo tempo saber que sem Deus nada podemos fazer. Com S. Paulo, acreditamos tudo poder naquele que nos fortalece: Cristo Senhor!
Bispo Diocesano


Veja outras mensagens de Dom Jaime

 

Mitra Diocesana de Osório

Todos os Direitos Reservados