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Mensagem Pastoral de Dom Jaime Pedro Kohl Estimados irmãos e irmãs no Senhor Jesus Cristo, razão de nossa esperança e motivo de nossa alegria. É meu desejo viver com vocês o seguimento de Jesus, caminho, verdade e vida. Venho viver convosco a fé cristã e espero ser acolhido como irmão entre os irmãos, como alguém que vem para servir e não para ser servido. Muito consciente da responsabilidade que me cabe, sonho dar continuidade ao projeto de construção de uma Igreja viva, vibrante e comprometida com a causa dos pequenos, os prediletos do Pai, fundada na Palavra e animada pelo Espírito. Grato a tudo o que foi feito pelo meu predecessor Dom Thadeu, por tantos sacerdotes, religiosos, religiosas, catequistas, ministros e por todos aqueles que colaboraram, quer da Diocese de Caxias do Sul como da Arquidiocese de Porto Alegre, na formação das comunidades e na constituição da Diocese, desejamos colocar todo nosso empenho em desenvolver essa herança sagrada, certos que Deus vai nos ajudar a levar a bom termo a obra começada em tantos corações e comunidades. O lema de minha Ordenação Episcopal: "Seja feita a tua vontade" não só diz a minha disposição, mas também, a necessidade de colocar-nos todos sob esta orientação e perspectiva, pois será nossa proteção e salvação. Sei de estar dizendo o óbvio, mas o digo: somente quando todos (bispos, padres, religiosos e religiosas, leigos c leigas) nos colocarmos no caminho da vontade de Deus, faremos de nossa Diocese uma família, um lugar de aconchego, uma comunidade viva e cheia de esperança. Nosso olhar fixo em Cristo, Palavra feita carne, deve estar no centro de nossas vidas, de nossa pregação, de nossa catequese, de nossas liturgias, de nossos planejamentos, de nossas buscas ... Partindo da realidade (chão) que a Providência divina prodigamente põe diante de nossos olhos, encontramos alguns elementos que tenho inserido no meu Brasão Episcopal (pegadas na areia, água, vento) e que podem nos ajudar a discernir algo daquilo que Deus espera de todos nós, 1anto a nível pessoal como para nossa Diocese. Se olharmos para o mar ele nos fala da imensidão e do Infinito. Se olharmos para a areia, percebemos as pegadas dos irmãos e nossas que também vão e apontam para o Infinito. Quem pode contar os grãos de areia? Se pensarmos na quantidade de lagos e açudes, como não pensar no manancial da vida que está na origem de todas as coisas, ou seja, no Deus fonte de toda a vida, no Batismo que nos gerou para a fé em Cristo Jesus ? Se voltarmos o olhar para o verde da Serra do Mar, além da esperança cristã, as montanhas nos levam para alto e nos projetam para o Infinito . Se nos deixamos acariciar pelos bons ventos, como não lembrar o sopro de vida que criou o ser humano e o Espírito que anima a nossa Igreja no seu caminho para o Pai! Se contemplarmos os céus na noite escura ou de luar. como não reconhecer na quantidade de estrelas e na luz que refletem um reflexo do Amor divino, que nos chama a adorar o Onipotente e Bom Senhor? Tudo isso pode parecer muito poético e abstrato. Eu prefiro ver nisso tudo sinais de Deus nos convidando a conhecê-Io, amá-Io e servi-Io. Vejo, também, nessa rica simbologia a vocação de nossa Diocese: ser esse lugar, onde "retirar-se, a sós ou em família, num lugar a parte para descansar", para refazer as forças, para revitalizar seu corpo e seu espírito e assim poder enfrentar os desafios de mais um ano. É um momento privilegiado de encontro consigo mesmo, com os outros e com Ele, o Deus da vida. Que bom podermos ser esse santuário de encontro com Deus! Que bonito se todos os passantes pelas nossas praias percebessem as pegadas que levam ao Senhor da vida! Que bom se na brisa suave que acaricia nosso chão pudessem perceber o sopro do Espírito e o carinho que o Pai tem para cada um de seus filhos! Que bom seria se, banhando~se nas águas doces ou salgadas. pudessem experimentar o conforto da purificação e do perdão que Jesus veio trazer àqueles que a Ele se confiam! Então, tudo é luz, tudo é paraíso, na nossa diocese? Claro que não. Problemas existem como em todo lugar, quer na Igreja quer na sociedade, tanto no aspecto social, como político, econômico e religioso. Não precisa ser um sociólogo para perceber uma situação de injustiça no campo da habitação, da saúde, da educação. A precariedade de condições da população do interior. A fragilidade e instabilidade econômica na zona urbana. A indiferença e o descaso com relação às obrigações civis e religiosas. A falta de honestidade, de transparência e de coerência. O pouco interesse pelo bem comum. Atitudes mesquinhas e pouco evangélicas. Poderíamos continuar, mas, como não queremos construir sobre a areia movediça e sim sobre a rocha firme, preferimos apostar naquilo que temos de positivo. Outros convites a despertar e refletir sobre nossa vida cristã e católica, nos vêm da nossa realidade regional, nacional e Latino Americana. O I Fórum Católico da Igreja Católica no RS, de 20 a 23 de setembro, nos convida a um exame para visualizarmos nossa história e assumirmos nossa identidade. Você não se omita, sente com sua família ou comunidade e participe respondendo as duas simples perguntas que a Cartilha nos faz: - O que você pensa da Igreja Católica'? O grande acontecimento da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e Caribe, a realizar-se em Aparecida de 13 a 31 de maio, com a 1ª visita do Papa Bento XVI ao Brasil, nos abre o coração para a catolicidade e para a missionariedade de nossa Igreja. O tema da Conferência "Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nele nossos povos tenham vida" nos lembra nossa vocação de seguidores de Jesus e a nossa missão de evangelizar anunciando e testemunhando a Boa Nova do Senhor. Não podemos ficar indiferentes diante desses acontecimentos de caráter regional, nacional e continental. Deixemo-nos envolver espiritual e afet1vamcnte. Podemos colaborar com nossa oração e acompanhando o desenrolar dos fatos. É ocasião para renovar nossa fé e fortalecer nosso sentido de pertença a Igreja Universal e cultivarmos nosso espírito de missionaricdade, que espero possa ser uma marca da nossa Diocese num futuro próximo. Nem o bispo e nem a diocese podem ser ilhas, portanto precisamos lançar pontes em todas as direções. para assim sermos ajudados e ajudar. fortalecendo-nos reciprocamente no Senhor. Continuemos nossa reflexão mantendo diante de nossos olhos a herança sagrada de nossos predecessores - considerando que algumas comunidades são centenárias e outras mais recentes - mantenhamos viva a pergunta: o que Deus espera de mim. de minha família. de minha comunidade e da minha diocese nesse inicio do terceiro milênio? I - A VONTADE DE DEUS Infelizmente. hoje, poucos se preocupam com a vontade de Deus e vivem como se Deus não existisse. unicamente preocupados em satisfazer sua sede de ter, de poder e de prazer. Nem sequer passa pela cabeça deles perguntar-se se isto que estão fazendo ou buscando é ou não é conforme o plano do Criador e Pai. O Cons. Vaticano II nos despertou para a necessidade de prestarmos atenção aos sinais dos tempos e vivermos numa atitude de continuo discernimento. Se não o fizermos corremos o risco de falarmos uma linguagem que ninguém mais entende e dando respostas a perguntas que ninguém mais faz. E pode acontecer que no momento em que achamos a resposta certa. mudem as perguntas. A rapidez com que as coisas mudam nos deixa num suspense e muitas vezes sem chão sob os nossos pés. Isso nos leva a estarmos abertos ao novo e ao mesmo tempo firmes em alguns valores inegociáveis para o cristão: a primazia de Deus. a dignidade da vida humana, a vocação e missão da família. a solidariedade ... Não podemos deixar que o mundo, com sua mentalidade consumista e materialista, determine nossa vida. mas vivermos nele de forma consciente e atenta à vontade de Deus. 1) O Conteúdo da Vontade de Deus E qual é vontade de Deus? Muitas são as respostas que poderíamos dar a esta pergunta. Quanto ao seu conteúdo, eis algumas respostas que nos vem de roldão: "Deus não quer a morte do ímpio, mas que se converta e viva" (Cf Ez 18, 23). "Que amemos a Deus com todo coração, com toda alma e com todas as nossas forças e amemos o próximo como a nós mesmos" (Lc 10,27 ). "Que busquemos em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, acreditando que o resto nos será dado por acréscimo" (Mt 6, 35). Que acreditemos na misericórdia do Pai e sejamos misericordiosos (Cf Lc 15). Que permaneçamos unidos a ele como o ramo à videira e que produzamos frutos (Cf Jo 15). Que vivamos unidos entre nós (Cf 10 17). Que confiemos na sua Palavra (Cf Jr 17,5-8). Poderíamos continuar a lista de muitas outras formas de expressar o conteúdo da vontade de Deus, a partir da Sagrada Escritura. Olhemos a vida de Jesus. 2) Jesus diante da vontade do Pai O mais importante para nós é olharmos e aprendermos de Jesus a atitude certa diante da vontade do Pai. Se folharmos as páginas do Evangelho veremos que na vida de Jesus existem duas grandes preocupações que norteiam suas decisões: a vontade do Pai e o Reino de Deus. Esse é sempre o grande critério para as escolhas de Jesus. Vejamos algumas manifestações concretas e práticas. Quando avisam Jesus que sua mãe e seus irmãos o estão procurando responde: "Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe" (Mc 3,35). Os íntimos de Jesus são os que vivem conforme a vontade do Pai. Diante do convite dos discípulos a comer, depois do encontro com a samaritana, Jesus deixa bem claro: "A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra" (10 4, 34). No horto das oliveiras, ao aproximar-se a hora da paixão, assim reza: "Pai, se é do teu agrado, afasta de mim este cálice; não se faça, contudo, a minha vontade, mas a tua" (Le 22, 42). Em Mt 7, 21 insiste novamente sobre a importância de fazer a vontade do Pai: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus; mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse entrará no Reino dos céus". Ensinando aos discípulos a rezar, deixa muito bem explicito num dos pedidos ao Pai: "seja feita a tua vontade" (Mt 6, 10). Podemos dizer que Jesus assumiu obstinadamente fazer a vontade do Pai, custe o que custar e nos ensinou a fazer o mesmo. Estou plenamente convencido que se todos nós, bispos, padres, religiosos e religiosas, leigos e leigas assumirmos com determinação essa orientação de vida, Deus fará com cada um de nós e com nossa Igreja coisas maravilhosas. Convoco todos. ninguém excluído. a seguirmos as pegadas de Jesus, convencidos que somente assim chegaremos aquele porto seguro. onde o amor, a paz e a justiça reinam e a vida se expande no silêncio em círculos concêntricos como costumamos ver em nossas águas. todas vez que algum objeto cai nelas. até mesmo uma outra gota d'água. A nossa "gota" é importante como a de qualquer outro e Deus conta com ela. II-MUNUS DE ENSINAR, SANTIFICAR E GOVERNAR Neste tempo de preparação à minha Ordenação Episcopal e semanas seguintes tive a oportunidade de refletir e rezar bastante. Meditei muito e me perguntei muitas vezes: "o que Deus me pede ao assumir essa nova missão?" A Igreja especifica a missão do Bispo em três funções: ensinar. santificar e governar. Funções a serem exercidas com os traços do Bom Pastor. Gostaria de partilhar com vocês essa minha missão, para que saibam o que Deus espera de mim e, também de vocês irmãos e irmãs em Cristo. 1) Múnus de Ensinar O Diretório para Ministério Pastoral dos Bispos nos diz que as características da Igreja particular são: - uma comunidade de fé, que necessita ser alimentada pela Palavra de Deus; - uma comunidade de graça. em que se celebra o Sacrifício Eucarístico. se administram os sacramentos e se eleva incessantemente a oração a Deus; - uma comunidade de caridade. seja espiritual que material. que jorra da fonte da Eucaristia; - uma comunidade de apostolado, em que todos são chamados a difundirem as insondáveis riquezas de Cristo. Sei e assumo que cabe a mim e aos meus sacerdotes, por primeiro, essa missão de ensinar e difundir as insondáveis riquezas de Cristo, mas sabemos que pelo Batismo é missão de todos nós cristãos. É minha obrigação, como também dos ministros ordenados, pregar com freqüência, propondo em primeiro lugar o que devemos crer e fazer para a glória de Deus e a salvação eterna. Outra tarefa minha é proclamar em todo lugar e sempre os princípios morais da ordem social, especialmente aquilo que diz respeito ao valor da vida humana, ao significado da liberdade, à unidade e estabilidade da família, à procriação e à educação dos filhos, à contribuição ao bem comum e ao trabalho, etc. Como bispo farei isso através das homilias. pronunciamentos, cartas pastorais, meios de comunicação e outros. E vocês leigos como participam nessa missão de ensinar? Primeiramente especialmente os pais, educando os filhos. com scu exemplo de vida. dentro da fé católica e segundo os princípios cristãos. Ajudados pelos catequisstas é vosso dever introduzir progressivamente as crianças e adolescentes nas verdades da doutrina cristã e no conhecimento de Jesus Cristo. É de estrema importância a disposição de todos - pais. catequistas, professores de ensino religioso. religiosos(as). sacerdotes - junto com o seu bispo querer continuar aprofundando o mistério da nossa fé. Sabemos que nunca estaremos totalmente prontos. Enquanto estamos vivos podemos crescer no conhecimento de Cristo e na interiorização da sua ação salvadora. Quem se fecha para no tempo e não goza a alegria de ver a vida desabrochando. Infelizmente. o fim destes é a morte. E essa não é a vontade de Deus, pelo contrário. deseja que o conheçamos sempre mais. para podermos ter vida e vida em abundância. Portanto. entremos para a escola da vida para ensinar e aprender. juntos. 2) Múnus de Santificar Se no múnus de ensinar era importante a catequese. no de santificar é de extrema importância a liturgia. "0 bispo, enquanto revestido da plenitude do sacerdócio de Cristo e, como seu instrumento, comunica a graça divina aos outros membros da Igreja. por isso é possível afirmar que do seu ministério deriva e depende de certa forma a vida espiritual dos fiéis." Se assim é, isto exige de mim que me aplique diligentemente no oferecer o Santo Sacrifício da Missa pelas necessidades de todos os fiéis - o que me proponho fazer todos os dias - na administração da Confirmação. conferindo a Ordem Sagrada, levando uma vida espiritual intensa. alimentada na Leitura Orante da Palavra, na Liturgia das Horas e na devoção a Maria. Gostaria de lembrar aqui aquilo que a Lúmen Gentium. no número 10. nos diz sobre a vocação universal à santidade: "Ainda que, na Igreja nem todos sigam o mesmo caminho, todos são, contudo. chamados à santidade". Portanto, se todos são chamados à santidade. ninguém pode se eximir desta responsabilidade, o que vai exigir de cada um o esforço de pôr-se a caminho, no sentido de buscar viver de modo sempre mais autêntico, verdadeiro e comprometido com o Evangelho. Pessoalmente. acredito muito naquilo que ensinava o fundador dos Pobres Servos, São João Calábria. sobre a santidade: "santificar-nos para santificar". Ou seja, o único jeito para santificar os outros é santificando-se a si mesmo. E corno fazemos isso'! Recorrendo muito a graça de Deus e usando os meios que ele nos deixou: a Palavra, os Sacramentos, a Oração, a prática da caridade, etc. Comprometo-me fazer a minha parte, mas como sei que ninguém se salva sozinho, vos convido a fazermos, esse caminho,juntos. Não dizia Dom Helder que "o sonho que se sonha só permanece apenas um sonho, mas que o sonho que se sonha juntos já é realidade",! Acredito profundamente que, o que mais me ajudará nessa nova missão, junto a vocês, serão os meus progressos espirituais, os passos que conseguirei dar no meu caminho de santificação e de resposta ao dom de Deus. Por outro lado, os vossos progressos, também, serão de ajuda para mim, porque será isto que vai atrair as bênçãos de Deus sobre a nossa Igreja: a nossa santificação! Santifiquemo-nos e o futuro da Igreja será garantido. Lembremos o Evangelho que a liturgia da minha Ordenação Episcopal nos brindou: "Sobre a tua Palavra, lançarei a rede" (Lc 5, 1-11) disse Pedro e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes quase se rompiam. Apostemos na Palavra de Deus, no poder de Jesus Cristo e na força do Espírito que os frutos serão abundantes. Os frutos com os quais eu sonho, além do progresso espiritual de todos nós, são as vocações ao sacerdócio, à vida consagrada e missionária. Aqui vai minha palavra de conforto e encorajamento aos nossos seminaristas que estão se preparando para o sacerdócio, pedindo que vivam esse precioso tempo de formação como uma oportunidade única, valorizem o tempo para que possam ser verdadeiros pastores de almas. Mas, também, aproveito a oportunidade para lançar meu apelo aos jovens, rapazes e moças, a pensarem que além da possibilidade de se realizarem na vida matrimonial, existe uma outra possibilidade: a do celibato ou virgindade consagrada para estar totalmente ao serviço do Senhor e do seu povo quer como sacerdote diocesano quer como religioso ou religiosa, seja de vida contemplativa como ativa. Vinde e vede. Se o Senhor bate a tua porta, não diga não, diga SIM. 3) Múnus de Governar Ao Bispo. enviado em nome de Cristo como pastor para cuidar da porção do Povo de Deus que lhe foi confiada, cabe a tarefa de apascentar o rebanho do Senhor (ef. IPd 5,2), educar os fiéis como filhos bem-amados em Cristo (ef. ICur 4,14-15) e governar a Igreja de Deus (cf. At 20,28) para fazê-Ia crescer como comunhão no Espírito Santo por meio do Evangelho e da Eucaristia. (Cf. Christus Dominus, 11). Disso decorre para o Bispo o ofício competente e o governo da Igreja que lhe foi confiada, com o poder necessário para exercer o ministério pastoral sacramentalmente recebido, como participação da mesma consagração e missão de Cristo. (Ct. Lúmen Gentium. 28). Esse poder não é simples mando, mas serviço e será pastoralmente eficaz se for acompanhado por uma credibilidade moral e santidade de vida. É meu propósito governar na comunhão e participação, na subsidiariedade e solidariedade, na transparência em todos os níveis. A diocese é, também, do bispo e não só do bispo. Assim como a paróquia é, também, do pároco e não só do pároco. Por isso, os conselhos progressivamente deverão ser instalados e funcionar para que a comunidade cresça na co-responsabilidade. O Bispo que está à frente de uma diocese tem que responder pelos compromissos da Igreja local tanto a nível civil como religioso e por isso deve zelar pelo bem estar espiritual de todos os fiéis que estão sob a sua jurisdição, pela organização pastoral das paróquias dentro das várias áreas de atuação, pela formação dos sacerdotes e agentes de pastoral, pela situação econômico-financeira da cúria diocesana, pelo patrimônio e tantos outros. sem esquecer a missão ad Gentes. Como vêem são muitas as dimensões e aspectos pelos quais um bispo, que age responsavelmente, deve responder. Manifesto-vos o desejo de ser no meio de vocês um pastor e não um burocrata. Sem me omitir em nenhuma de minhas responsabilidades, gostaria que todos os que desejassem chegar até mim para um conselho, uma conversa. uma confissão pudessem fazê-Io com toda liberdade. Para mim, governar é construir juntos. Por isso convoco todos os cristãos da nossa diocese, para num grande mutirão, abraçarmos juntos o desafio de construirmos uma sociedade justa, fraterna, livre, onde todos se respeitam e se amam como irmãos, no seguimento de Jesus, o Cristo. É de extrema importância valorizarmos e zelarmos por aquilo que é nosso, nossas riquezas culturais, econômicas, espirituais. bem como os meios que a Providência divina nos coloca a disposição para a nossa ação evangelizadora. Isso, porém, sem fechar-nos sobre nós mesmos, mas abrindo-nos num diálogo franco e aberto com todas as forças vivas, em todos os níveis e dispostos a dar e receber, contanto que sirva para a edificação do reino de Deus. CONCLUSÃO Repito aqui aquilo que Santo Agostinho dizia aos seus fiéis: "Para vocês eu sou bispo, com vocês eu sou cristão". Se cada um de nós procura corresponder ao dom de Deus e assumir a sua responsabilidade, a nossa Igreja crescerá, se consolidará e dela sairão filhos, missionários e missionárias, para levar a Boa Nova de Jesus a tantos irmãos e irmãs que ainda não o conhecem, por que ninguém Ihes falou Dele. Sonho com uma Igreja viva e fecunda, disposta a dar e receber. aberta a acolher a rica experiência de tantos cristãos que passam pelas nossas areias e a dar um testemunho vivo de fé no Onipotente e Bom Senhor, que se revela de forma privilegiada no nosso chão. Quando as dificuldades aparecerem. lembremos as palavras do Senhor: "Não temas, eu sou contigo" e façamos delas ocasião de crescimento espiritual, degrau para subirmos um pouco mais à montanha do encontro com o Senhor e experimentar, ali, sua ação libertadora. Com Maria digamos o nosso "Sim !", o nosso "Eis-me, aqui !", o nosso "Faça-se!" e o nosso "Seja feita a tua vontade!" Iniciemos juntos essa caminhada, confiando na Providência divina, certos que se fizermos nossa parte, não nos faltará o necessário para realizarmos os desígnios de Deus. E assim. seu nome será glorificado e o nosso povo abençoado! Que nossa Senhora da Conceição nos cubra com seu manto e nos proteja! E pela primeira vez, através desta mensagem, aproveito para enviar-lhes a minha bênção episcopal. Portanto, eu, vosso irmão em Cristo. pelo dom a mim confiado, vos abençôo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Dom Jaime Pedro Kohl Bispo de Osório |