A Voz do Bispo › 01/11/2018

Todos vivem

A memória de todos os fiéis defuntos nos faz voltar aos nossos antepassados e desperta em nós lembranças de muitas pessoas queridas, nos leva a pensar no destino que nos espera.

Não gostamos de falar da morte, mas não temos como fugir dela. Basta aparecer uma doença – como aconteceu comigo nestes dias – ter que baixar num hospital para uma cirurgia, que mesmo o mais incrédulo dos homens acaba se debatendo com essa realidade e vê-se obrigado a reconhecer sua fragilidade e erguer os olhos para o Altíssimo.

Todos sonhamos com um fim de glória, um fim feliz, um fim que não é um fim, mas o início de uma nova vida, continuidade desta vida que já vivemos em Cristo Jesus, ressurreição e vida. Todos chamados à vida que com a morte se plenifica em Deus, fonte de toda a vida.

Contudo, morremos. Sim, todos morremos e, ao mesmo tempo, todos vivemos. A morte não é o fim, mas a passagem para outra forma de existência, realizada e feliz para os justos, atormentada e triste para os ímpios. Deus não seria justo se todos tivessem a mesma sorte, independentemente, da vida que levamos com nossa passagem por este mundo.

Muitos custam entender que o convite evangélico à santidade e à vida plena seja para todos. Muitos, especialmente os jovens, pensam que isso lhes tira a liberdade, que não os deixam viver e serem felizes. Enganam-se redondamente. A proposta de Jesus é de salvação, de felicidade, de Reino de Deus, de realização. Basta escolher o caminho do amor e do bem.

A santidade não é uma realidade impossível de ser alcançada. Tudo depende do vigor com que se vive o ideal das bem-aventuranças na relação com Cristo e nos compromissos inerentes à vida. Sim, eu e você, nós todos podemos ser santos, não importa se temos muitas ou poucas qualidades.

Nossa visita ao cemitério nesses dias lembrando algum parente ou amigo que já partiu deve provocar em nós uma grande vontade de viver e viver bem, porque a felicidade plena e eterna é para aqueles que se esforçaram por fazer somente o bem e amar como Jesus amou.

Mais do que flores e velas, nossos defuntos esperam pelas nossas obras de caridade e nossas orações em sufrágio pela sua purificação, único meio para apressar a sua visão definitiva da glória de Deus.

Ajuda-nos Senhor a entender o teu projeto de amor e vida, dá-nos a graça de vivê-lo com simplicidade de coração.

 

Para refletir:

1. Já parei alguma vez para pensar sobre como será minha vida ao sair desse mundo?

2. Esse tema da ‘morte e o morrer’, como ressoa dentro de mim? Me assusta? Por que?

3. Sinto-me chamado à santidade, à uma vida fecunda e abençoada para o meu bem e dos meus irmãos e irmãs?

 

Textos bíblicos: Mt 5,1-12; Mt 25, 31-46; Jo 11, 17-27.

 

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