A Voz do Bispo › 01/06/2019

Somos membros uns dos outros

A solenidade da Ascensão do Senhor e Dia Mundial das Comunicações, em sua 53ª edição, o Papa nos diz: gostaria de vos convidar uma vez mais a refletir sobre o fundamento e a importância do nosso ser-em-relação e descobrir, nos vastos desafios do atual panorama comunicativo, o desejo que o homem tem de não ficar encerrado na própria solidão.

E segue sua fala: [A rede é um recurso do nosso tempo: uma fonte de conhecimentos e relações outrora impensáveis. Mas também oferece riscos que ameaçam a busca e a partilha duma informação autêntica em escala global. A internet constitui uma possibilidade extraordinária de acesso ao saber e também se revelou como um dos locais mais expostos à desinformação e à distorção consciente e pilotada dos fatos e relações interpessoais.

Se por um lado as redes sociais servem para nos conectarmos melhor, fazendo-nos encontrar e ajudar uns aos outros, por outro, prestam-se também a um uso manipulador dos dados pessoais, visando obter vantagens no plano político ou económico. As estatísticas relativas aos mais jovens revelam que um em cada quatro adolescentes está envolvido em episódios de cyberbullying.

A metáfora da rede lembra outra figura densa de significados: a comunidade. Uma comunidade é tanto mais forte quando mais for coesa e solidária, animada por sentimentos de confiança e empenhada em objetivos compartilháveis.

No cenário atual, salta aos olhos de todos como a comunidade de redes sociais não seja, automaticamente, sinônimo de comunidade.

A rede é uma oportunidade para promover o encontro com os outros, mas pode também agravar o nosso autoisolamento, como uma teia de aranha capaz de capturar.

Esta realidade multiforme e insidiosa coloca várias questões de caráter ético, social, jurídico, político, econômico e interpela a Igreja. Cabe aos governos buscar a regulamentação para salvar a visão originária duma rede livre, aberta e segura. A todos nós promover o uso positivo da mesma.

A metáfora do corpo e dos membros: “Por isso, despi-vos da mentira e diga cada um a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros” (Ef 4, 25) revela a obrigação de preservar a verdade e manter a comunhão. A verdade revela-se na comunhão.

Essa metáfora leva-nos a refletir sobre a nossa identidade, que se funda na comunhão e na alteridade. Ajuda-nos a ver os outros não como potenciais concorrentes, mas como pessoas. Visão que tem seu fundamento no Deus Trindade: a comunhão não anula a diversidade.

A vida de fé é resultado de uma relação: um encontro. Somos verdadeiramente humanos, quando nos relacionamos com os outros e crescemos em humanidade quando sentimos os outros não como rivais, mas como companheiros de viagem.

A imagem do corpo e dos membros recorda-nos que o uso da social web é complementar do encontro em carne e osso. Se uma família utiliza a rede para estar mais conectada, para depois se encontrar à mesa e olhar-se olhos nos olhos, então é um recurso. Se uma comunidade eclesial coordena a sua atividade através da rede, para depois celebrar juntos a Eucaristia, então é um recurso.

Esta é a rede que queremos: uma rede feita, não para capturar, mas para libertar e preservar uma comunhão de pessoas livres. Por isso, “das Comunidades de Redes Sociais à comunidade humana” e do ‘Like’ ao ‘Amém’].

 

Para refletir:

1. O que me chamou minha atenção desta fala do Papa Francisco?

2. Que tipo de comunicação deve resultar desta mensagem?

3. Quando o uso da internet é sadia e positiva

 

Textos Bíblicos: At 1,1-11; Ef 4, 25ss; Lc 24, 46-53; Sl 46.

 

 

 

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