A Voz do Bispo › 22/03/2019

Se não vos converterdes…

Durante a Quaresma, somos constantemente exortados à conversão. “Conversão” significa “passagem de um certo estado para outro, voltar-se para alguma coisa ou para alguém, mudar de direção ou de caminho”. Fazer tudo convergir em direção a meta.

Na tradição bíblica, converter-se implica um novo comportamento de vida, mais agradável a Deus, o restabelecimento de uma união mais íntima com Ele. Converter-se pressupõe autoconsciência da própria condição, reconhecimento de uma dimensão da própria existência mais ampla, que a tudo dá sentido.

A convicção que somos amados por Deus desde toda a eternidade pode ser essa dimensão. Nesta perspectiva, reconhecemos que a conversão é, antes de tudo, obra do Deus que ama sem reservas, capaz de criar corações novos, infundindo no pecador um novo espirito e um novo coração.

Conversão implica acolher generosamente o Reino de Deus, disposição para deixar-se transformar em imagem viva e transparente de Cristo. Para isso precisa retidão da vontade, orientação para o belo, o bem e a verdade. Requer também docilidade aos convites de Deus que fala pela Escritura e na voz da consciência.

O Evangelho deste domingo, por exemplo, nos diz claramente que “se não nos convertermos, reconhecendo nossas limitações humanas e imperfeições, pereceremos da mesma forma dos galileus assassinados por Pilatos e dos que foram sepultados na torre de Siloé. Aqui a conversão pedida é aquela de não acharmo-nos melhores que ninguém e nem fazermo-nos juízes uns dos outros.

Depois prossegue com a parábola da figueira estéril que não produz fruto algum a quem é dado um prazo. É oportunidade para examinar-nos sobre nossa participação na vida da Igreja e da sociedade, do como estamos contribuindo com nossa comunidade (Igreja) e sociedade (cidade).

A nossa presença e atenção, tanto a nível social como religioso, acrescenta algo ou é um peso morto? Diante de tanta necessidade de leigos e leigas para assumirem responsabilidades nas pastorais, grupos, serviços, conselhos, seja na Igreja, como no campo político e social, será que não tenho nada a ver com isso?

A Campanha da Fraternidade deste ano: “Fraternidade e Políticas Públicas” é uma oportunidade para resgatar a dimensão social da conversão cristã. Por isso a Igreja do Brasil nos desafia a voltar o olhar e a atenção para a urgente necessidade de todos compreendermos a importância das políticas públicas para a solução de muitos problemas sociais que assolam nossos municípios, estados e país. Será que percebemos o apelo à participação?

O apelo de Jesus soa como um imperativo quaresmal dirigido à todas as pessoas, à todas as formas de organização social e à todas as instituições da sociedade. A Igreja enquanto parte dessa sociedade sente-se na obrigação de participar tanto no diagnóstico dos problemas sociais como na busca de soluções, ciente que, uma das soluções mais eficazes são as políticas públicas. Se não vos converterdes….

 

Para refletir:

1. Sendo muito sincero comigo mesmo, quais aspectos da minha vida precisam de conversão?

2. Como é minha participação na vida da Igreja e da Sociedade? Estou dando o máximo e o melhor de mim? Se continuar a viver como estou vivendo qual será o meu fim?

3. Qual é minha participação na definição das políticas públicas e na sua implementação?

 

Textos bíblicos: Lc 13, 1-9; 1Cor 10, 1-12; Ex 3, 1-15; Sl 102

 

 

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