A Voz do Bispo › 10/08/2017

Pai, presente sempre!

O segundo domingo do mês vocacional é dedicado aos pais cuja vocação é gerar a vida no amor e no amor paterno e materno oferecer condições saudáveis e dignas de crescimento e amadurecimento humano e espiritual.

Falar do dia dos pais é falar da família, por isso a Igreja do Brasil promove de 13 a 20 a Semana Nacional da Família. É ocasião para refletir e tomar consciência da beleza e da grandeza da vocação à paternidade e maternidade que não podem ser vistas como algo automático.

O simples fato de duas pessoas poderem conceber filhos, não significa que estejam preparadas para assumirem as consequências que derivam da relação conjugal. É assustador ver adolescentes iniciando precocemente um relacionamento sexual com o consenso dos pais.

O filho que chega esperado, desejado, amado desde o momento da sua concepção, por pais bem casados e com estabilidade de vida tem tudo para dar certo.  Ser pai ou ser mãe assim é algo bonito: é vocação!

Os jovens que pensam casar e ter filhos devem se preparar espiritual, psicológica e também financeiramente para a missão de gerar, proteger e cuidar da família.

Mesmo que, hoje, se fale de produção independente ou outras modalidades de gerar vidas, sabemos quanto é importante a presença efetiva e afetiva da figura do pai no desenvolvimento humano e no amadurecimento afetivo dos filhos e filhas. Uma psicologia séria não tem como não reconhecer a importância, tanto da figura masculina como feminina, na formação da identidade do ser humano.

Segundo o papa Francisco: “Toda criança tem direito a receber o amor de uma mãe e de um pai, ambos necessários para o seu amadurecimento integro e harmonioso… não separadamente, mas também do amor entre eles, como ninho acolhedor e fundamento da família. Se, por alguma razão inevitável, falta um dos dois, é importante procurar alguma maneira de o compensar, para favorecer o adequado amadurecimento do filho”, conforme nº 172 da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia.

No nº 176 de Amoris Laetitia, o papa Francisco fala de uma “sociedade sem pais”, alertando que “o problema nos nossos dias não parece ser tanto a presença invasora do pai (como podia ser um certo autoritarismo do passado), mas sim a sua ausência, o fato de não estar presente. Por vezes o pai está tão concentrado em si mesmo e no próprio trabalho ou então nas próprias realizações individuais que até se esquece da família. E deixa as crianças e os jovens sozinhos”.

Depois segue dizendo: “Deus coloca o pai na família, para que, com as características próprias da sua masculinidade, esteja próximo da esposa, para compartilhar tudo, alegrias e dores, dificuldades e esperanças. E esteja próximo dos filhos no seu crescimento: quando brincam e quando se aplicam, quando estão descontraídos e quando se sentem angustiados, quando se exprimem e quando permanecem calados, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando voltam a encontrar o caminho; pai, presente sempre. Estar presente não significa ser controlador”.

E conclui: “Alguns pais sentem-se inúteis e desnecessários, mas a verdade é que ‘os filhos têm necessidade de encontrar um pai que os espera quando voltam dos seus fracassos. Farão de tudo para não o admitir, para não o revelar, mas precisam dele’. Não é bom que as crianças fiquem sem pais e, assim, deixem de ser crianças antes do tempo”.

Espero que essa palavra paterna e amável do papa Francisco, ajude os homens que carregam nos ombros a graça de um pai a assumirem responsavelmente sua missão e aos jovens que pensam de constituir família não meçam esforços no preparar-se adequadamente. Não basta passar a viver juntos, a coabitar.

Celebrar o dia dos pais é celebrar o dia da família, berço da vida, patrimônio da humanidade, lugar e escola de comunhão, espaço ideal para a socialização e iniciação à vida cristã, desde a concepção.

O matrimônio bem vivido santifica o amor conjugal e o plenifica quando abraçado na sua significação profunda na unidade, fidelidade, indissolubilidade.

Nesta Semana Nacional da Família convido todas as comunidades e famílias a rezarem pela compreensão e valorização da família.

Desejando a todos os pais um Feliz dia, invoco sobre todos a proteção Deus, a força do Espírito Santo e a graça do Senhor Jesus na vivência de sua magnífica vocação.

Dom Jaime Pedro Kohl

Bispo Diocesano

 

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