A Voz do Bispo › 18/06/2017

O mistério que o Tabernáculo encerra

Uma das coisas boas de nosso país é que ainda reserva um dia do ano para celebrarmos a solenidade de Corpus Christi. É verdade que para muita gente não passa de um feriado a mais, mas graças a Deus não o é para a maioria.

As comunidades cristãs que acreditam na presença real de Cristo nas espécies do pão e do vinho consagrados, além de celebrar a Santa Missa, presta sua adoração e homenagem levando-O em procissão pelas ruas e praças da cidade, próximas aos templos.

São os jovens e as crianças que mais se envolvem e se dedicam a preparar os locais por onde passa o Preciosíssimo Corpo de Cristo, expressando com criatividade sua fé, enfeitando artisticamente os locais com símbolos cristãos e eucarísticos.

Vivemos numa sociedade que tem origem cristã, mas parece ter esquecido certos costumes e valores humanos e espirituais decorrentes. A fé é uma coisa e a ética, outra.

Para viver a fé cristã, hoje, é necessário fazer uma opção consciente e madura. As mesas da Palavra e da Eucaristia são a principal fonte da qual atingimos luz e força para prosseguirmos no caminho de Jesus.

Na mesa da Palavra, Deus revela seu amor, mostra o caminho a seguir, orienta, dá força e conforta. “Nos Livros Sagrados, o Pai que está nos céus, vem carinhosamente ao encontro de seus filhos e com eles fala”.

Na mesa do Pão, dá-nos seu filho amado como alimento para as nossas fraquezas, como remédio para nossos males. Por isso o olhar da Igreja volta-se continuamente para o seu Senhor, presente no sacramento do Altar, onde descobre a plena manifestação do seu imenso amor.

A leitura diária da Sagrada Escritura contribui para o fortalecimento da fé e conduz à santidade de vida. A missa dominical é o encontro semanal da comunidade de fé para oferecer “por Cristo, com Cristo e em Cristo” o sacrifício perfeito ao Pai, que quer todos os seus filhos vivendo em fraternidade, partilhando o pão e construindo uma sociedade onde reina a justiça e a paz. Isso parece ficar sempre mais longe da sociedade brasileira.

Os bispos em Aparecida declararam: “Só da Eucaristia brotará a civilização do amor que transformará a América Latina e o Caribe para que, além de ser o Continente da esperança, seja também o Continente do amor” (Ap 128).

Acreditando nesse sonho, continuamos a fazer Eucaristia na esperança que a celebração da partilha se transforme em ardor missionário, em compromisso com a justiça e a esperança invada e faça arder o coração, como aconteceu com os discípulos de Emaús que o reconheceram no partir do pão.

Pe. Leopoldo Pastori, um enamorado da Eucaristia e que deu a vida pela Missão na Guiné Bissau, dizia: “No centro de espiritualidade há uma belíssima igreja. No meio dessa, está Jesus no Tabernáculo. A presença de Jesus é tudo para essa casa de espiritualidade. Eu quis que o Tabernáculo fosse belo e que irradiasse a luz de cores vivas. Os meus irmãos da Guiné apreciam as coisas belas e luminosas e se sentem atraídos e comovidos pelo mistério que o Tabernáculo encerra”.

Ele que passava em média 5 horas por dia em adoração confessa: “O fascínio pela Eucaristia, que sempre me atrai sem nunca me cansar, está renovando em mim um desejo profundo de santidade”.

Deixemo-nos fascinar e atrair pelo mistério que o Tabernáculo encerra. Junto Dele prostremo-nos em oração pelo Brasil que passa por uma crise moral e ética nunca vista, pedindo que desperte em quem tem poder de decisão um desejo profundo de honestidade.

Motivados pelo apelo da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil saímos com Cristo Eucaristia que em visita as nossas cidades pedindo que tenha misericórdia do povo brasileiro, despertando nos poderes constituídos responsabilidade e coerência com a missão a eles confiada.

Santíssimo e misericordioso Senhor volve teu olhar para o nosso Brasil!

Dom Jaime Pedro Kohl, bispo da diocese de Osório.

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