A Voz do Bispo › 21/09/2018

O justo e o sábio incomodam

As leituras bíblicas deste final de semana são iluminadoras para o momento que estamos vivendo em nosso país. Todos, como bons brasileiros, somos chamados a participar das eleições que podem mudar os rumos da nossa história social, política e econômica.

Nossa vida de fé nos convida a agir responsavelmente na construção de um país onde reine a justiça e a paz. Por isso precisamos de muita sabedoria para discernir os caminhos para alcança-las.

Para o apostolo Tiago “a sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura, depois pacifica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento. O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz”.

Percebem como esses dois valores andam sempre juntos? A condição para a paz verdadeira é a justiça. Sem justiça não haverá paz duradoura. Nosso país precisa de paz por isso devemos buscar a justiça em todas as dimensões. Sonhamos com o salmista um tempo em que “a justiça e a paz se abraçarão!” (Sl 85,11).

Enquanto os ímpios continuam dizendo: “Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra nossa disciplina” (Sab 2,12) os justos, apoiados em Deus, não fugirão da luta até se estabelecer a justiça e o direito.

A Igreja, atenta ao exercício da política, é impelida a ser “advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, que clamam ao céu” (Ap 395).

Ela deseja e promove a mobilização de todos, independentemente de partidos políticos, em vista de uma convivência pacífica, fraterna e solidária, desejosa de colaborar na construção de uma “Terra sem males”.

Nesse sentido é iluminadora a palavra de Jesus aos discípulos que discutiam quem ocuparia os primeiros lugares: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” (Mc 9,35). Será que podemos sonhar com governantes que pensem e busquem ser eleitos com esse espírito de serviço?

Como diz o papa Francisco: “Há necessidade de dirigentes políticos que vivam com paixão seu serviço aos povos, solidários com seus sofrimentos e esperanças, que anteponham o bem comum aos seus interesses privados, que sejam abertos a ouvir e a apreender no diálogo democrático, que conjuguem a busca da justiça com a misericórdia e a reconciliação”. O Brasil conta com políticos assim. Para isso se impõe um caminho de purificação.

 

Para refletir:

1. Diante do cenário nacional, dos candidatos que apresentam suas propostas de governo, o que precisamos prestar atenção e discernir?

2. O clima de desânimo e desconfiança, embora motivados, não ajudam em nada. Como podemos superá-los?

3. Acreditamos que o Brasil é viável? Com qual condição? O que podemos e devemos fazer para colocá-lo caminho certo?

 

Textos bíblicos: Sab 2,12.17-20; Tg 3, 16-4,3; Mc 9, 30-37; Sl 85.

 

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