A Voz do Bispo › 09/01/2021

O céu se abriu

Na semana passada dizíamos que é muito mais importante olhar pelo para-brisa que pelo retrovisor, no sentido que a esperança por um futuro melhor para todos nos move, pelo fato que Deus desceu até nós – assumiu-nos pela Encarnação – e caminha conosco. Nesse movimento de descida quis precisar de colaboradores: de uma jovem chamada Maria e de um varão chamado José (pai adotivo de Jesus).

As celebrações vão se desenrolando com muita rapidez nesses dias, que nem dá tempo para contemplá-las direito. Dois dias após o Natal celebramos a festa da Sagrada Família, no primeiro do ano a Solenidade da Mãe de Deus. Logo veio a festa da Epifania, manifestação que continua com o Batismo de Jesus, ocasião na qual “o céu se abriu e o Espírito, como pomba, desceu sobre Jesus”.

Essa imagem do céu que se abre, do Espirito Santo que desce sobre Jesus e a voz que brada: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer” nos faz pensar as tantas decidas de Deus, nas tantas iniciativas Dele para concretizar o seu projeto de amor pela humanidade. Isso pode ser compreendido melhor se olharmos pelo retrovisor da História da Salvação.

Segundo o Pe. Antônio Iraildo, “o céu aberto revela a intimidade de Jesus com o Pai. O Senhor rasga o céu para instaurar o Reino. O Espírito que desce é a força amorosa e transformadora. Essa força renova o mundo. É um sopro sereno e não um vendaval.

A pomba, por sua vez, evoca a ideia da ave mensageira, surgida após a devastação do dilúvio. Ela é a comunicação do divino com o humano. Ali o plano original de Deus é restabelecido. A voz do céu é Deus se derramando de amor. Essa mesma voz ecoará no grande grito, naquele dia, no alto da cruz: ‘verdadeiramente, este é o filho de Deus’. Nele está todo o bem-querer, a alegria, a realização do Pai”.

Cada um pode acrescentar outras belas intuições. Ao descer e armar sua tenda entre nós, no seio de uma família, Deus quis mostrar-nos quanto ela é significativa e essencial à sociedade e à Igreja. A família que acolhe a vida torna-se Igreja Doméstica, santuário da vida, viveiro da humanidade, jardim de Deus onde nascem e crescem as flores mais belas e totalmente originais, presépio pronto para acolher Aquele que nos vem trazer a paz.

Que o mesmo Espírito que desceu sobre Jesus, desça também sobre nós e nossas famílias para que possamos fazer o que Ele fez! Eles fizeram! Que o céu que se abriu para Ele, permanece sempre aberto a nós para sentirmos o mesmo amor do Pai que Ele sentiu!

 

Para refletir:

Consigo me ver, de alguma forma, envolvido nesta reflexão?

Céus que se abrem. Deus que faz ouvir sua voz. Espirito que desce. Como entender isso tudo? Meche comigo? Dou abertura a voz de Deus?

Lembra muito família como algo querido e abençoado por Deus. Como é a minha família? O que poderia fazer para que nela possa nascer Jesus, hoje?

 

Textos bíblicos: Eclo 3,3-7.14-17ª; Ef 3,2-6; Mc 1, 7-11; Sl 127 (128).

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