A Voz do Bispo › 21/02/2020

O caminho do amor

Continuando a ouvir o pensamento de Jesus no sermão da montanha, norteado pelos os temas do amor e do perdão, vejamos a quais consequências no leva. Ele deixou claro que não veio abolir a Lei, mas cumpri-la e completá-la.

A primeira observação é sobre a lei da retribuição: “Olho por olho, dente por dente”. A “lei do talião”, comum entre os povos arcaicos, embora colocasse limite na violência, mas alimentava a violência. Jesus faz uma proposta completamente diferente, passando da retribuição ao amor gratuito, assumindo o perdão sem limites. Por isso “se alguém te bate na face direita oferece também a esquerda”.

No que se refere ao amor do próximo, propõe a radicalização do amor, superando a lógica humana. Não mais “amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”, mas “amai os vossos inimigos e rezai pelos que vos perseguem”.

Tudo muito paradoxal e aparentemente impossível de ser praticado humanamente falando, mas possível para quem crê e para quem ama do jeito de Deus, que faz nascer o sol sobre maus e bons, chover sobre os que fazem o bem e os que fazem o mal. É Ele que devemos imitar: porque se fazemos o bem somente aos que nos faz o bem, o que fazemos de especial? Se amamos aqueles que nos amam que fazemos de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa?

O “sede perfeitos como vosso Pai que está nos céus é perfeito”, significa que o discípulo de Jesus é chamado a amar e fazer o bem, também, aos inimigos, antipáticos, perseguidores… Perfeitos no amor.

Em tempos de polarização, intolerância e violência sempre mais cruel, somos chamados a contrapor o amor cristão, amor que, para a santa de Calcutá, brota de uma decisão e não de um sentimento. Amor que pode faz a diferença e colabora na construção da civilização do amor.

Deus não nos trata segundo as nossas faltas e limitações, mas segundo sua própria bondade, nós também precisamos deixar as visões arcaicas e assumir a proposta de Jesus: Amar! Amar! Amar! Amar sempre!

Somente o amor cristão pode abrir caminhos para a superação dos conflitos grandes ou pequenos, seja entre pessoas, famílias, grupos e até mesmo povos.

Quando Santo Agostinho diz: “ama e faz o que quiser” tinha razão, porque quem ama de verdade, não pode senão procurar o bem tanto para si como para os outros.

Quanto tempo o mundo vai demorar para compreender isso e assumi-lo como prática de vida em suas relações?

 

Para refletir:

– Como essa proposta de Jesus ressoa em mim quando ouço esse Evangelho?

– Já cheguei a tomar essa decisão, como Madre Tereza: AMAR sempre?

– Consigo no meu cotidiano retribuir ao mal com o bem? Como? Quando?

 

Textos bíblicos: 1Cor 3,16-23; Mt 5, 38-48; Sl 102(103).

 

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