A Voz do Bispo › 26/11/2021

Não tenhas medo!

Na chegada do fim de mais um ano litúrgico e o início de um novo, as forças precisam ser recuperadas e renovadas para construir o bem sem comodismo. Um caminho para isto, no dizer do Papa Francisco, está no seguimento de Jesus Cristo, onde cada indivíduo vai encontrar forças e vigor para construir um mundo mais saudável, superando todo tipo de mediocridade infrutífera.

Celebrar o Advento é despertar a consciência para o sentido do existir e do comprometimento com a causa do bem. Jesus nasce historicamente no Natal como luz para iluminar o caminho das pessoas e motivá-las para que coloquem em ação os dons naturais e cristãos, na espera de uma vida melhor. Essa prática e motivação têm sustentação na escuta da Palavra de Deus.

Mudar de ano mais uma vez significa transformar as antigas realidades do dia a dia e ceder lugar aos novos tempos com atitudes de dinamismo e confiança, principalmente com abertura do coração para Deus e seus ensinamentos.

O Evangelho deste 1º Domingo de Advento fala de catástrofes no sol, na lua e nos astros. Na terra não está sendo diferente com o aquecimento global, quando vemos queimadas, enchentes, tornados, vento de areia, que podemos interpretar como naturais, mas frutos de desgaste da criação. São sinais de que alguma coisa precisa ser restaurada com urgência, ânimo e determinação.

O subsidio do Regional Sul III, para ajudar as comunidades na preparação à celebração do Natal suscitando um novo ânimo, oferece quatro encontros em forma de passos. O 1º Passo apresenta como título: “José, Filho de David, não temas!” É o anuncio que o Anjo faz a José quando busca entender a gravidez de Maria. Esse mesmo encorajamento é muito oportuno para todos nós que estamos saindo da pandemia e retomando nossas atividades e compromissos civis e eclesiais.

Na Patris Corde (Coração de Pai), o papa Francisco meditando sobre o fato de José acolher Maria sem colocar condições, mostra como ‘a nobreza do seu coração o faz subordinar à caridade, aquilo que aprendera com a lei; e hoje, neste mundo onde é patente a violência psicológica, verbal e física contra a mulher, José apresenta-se como figura de homem respeitoso, dedicado que, mesmo não dispondo de todas as informações, se decide pela honra, dignidade e vida de Maria. E, na sua dúvida sobre o melhor a fazer, Deus ajudou-o a escolher, iluminando o seu discernimento’.

O texto conclui que a vida espiritual que José nos mostra não é um caminho a ser explicado, mas um caminho a ser escolhido. A todos os Josés e Marias, de ontem e de hoje, o anjo encoraja: “Não tenhas medo!”

 

Para refletir: O que mais me chama atenção em São José, o pai do acolhimento? Quais são nossas atitudes com as mulheres e homens mais fragilizados e pobres? Encontro na Palavra de Deus encorajamento a renovar continuamente a esperança em mim e nos outros?

 

Textos bíblicos: Jr 33,14-16; Lc 21, 25-28.34-36; Mt 1, 18-24; Sl 24(25).

 

 

 

 

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