A Voz do Bispo › 16/11/2017

Muito bem, servo bom e fiel!

Por dom Jaime Pedro Kohl, bispo da Diocese de Osório

 

A parábola dos talentos nos ajuda a entender um pouco o mistério do Reino. A expectativa presente no texto converte-se em responsabilidade pela transformação do mundo. Manter-se vigilante é sentir-se responsável pelo Reino.

A responsabilidade é proporcional ao “talento” recebido e posto a serviço. O servo infiel não produz fruto algum por medo e pela ideia errada que tem de Deus. Como sempre acontece, o medo leva ao fatalismo, à omissão. A imagem de um Deus severo, cruel e que castiga paralisa a pessoa.

O Deus da Bíblia é misericórdia e bondade. O temor de Deus que a Igreja prega não é o medo de Deus, mas a confiança ilimitada em Deus, própria de quem reconhece seus limites.

Por isso o salmista exclama: “maldito o homem que confia no homem e bendito o homem que confia no Senhor”.

O servo da parábola que enterrou seu talento por medo pertence ao reino da esterilidade, permanece na escuridão, no isolamento. Esse servo é pouco sábio, porque procura a segurança de forma errada, tem medo de arriscar, não confia e perde a criatividade.

A espera do “patrão” se dá no serviço, na fidelidade criativa de quem aposta tudo e joga sua vida naquele que tudo pode, investindo os dons recebidos.

Esperar o amanhã pode ser tarde demais. Façamos o que está ao nosso alcance hoje, com confiança e sem agitação, sabendo que para cada dia basta a sua preocupação.

O grande tesouro confiado ao cristão é o Reino de Deus inaugurado por Jesus, Reino de justiça e paz, dado a nós para fazer frutificar, multiplicar, crescer e desenvolver.

Para quem acredita e age, de consequência a recompensa será: “Muito bem, servo bom e fiel! Vem participar da minha alegria!”.

Quem não acredita e por medo enterra seu talento, a recompensa é outra: “Servo mau e preguiçoso!… jogai-o lá fora, na escuridão”.

A diferença está no risco do amor: apostar ou não na fidelidade e no amor de Deus.

Justamente porque ama, Deus manifesta sua grandeza no confiar e entregar seus bens às pessoas, mesmo que frágeis e imprevisíveis, são capazes de produzir os frutos esperados.

Com essa parábola, Jesus nos convida a viver como filhos(as) da sabedoria e a sermos responsáveis pela missão recebida.

Quem não gostaria de ser recebido com esse alegre elogio: “Muito bem, servo bom e fiel! Entra no gozo do teu Senhor!”?

Partilhemos os dons recebidos e o Senhor nos agraciará com muitos outros.

 

Para refletir:

1. O que estou fazendo com os dons que Deus me deu tanto a nível humano, como espiritual?

2. Olhando minha vida, posso dizer que ela é fecunda e contribui com o crescimento do Reino de Deus?

3. Sou feliz?

 

Sugestão de leitura

Mt 25,14-30

 

 

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