A Voz do Bispo › 18/07/2019

Hospitalidade e escuta

Lucas 10, 38-42 nos narra a acolhida que Marta e Maria dão a Jesus. O texto vem logo após a narrativa do bom samaritano que meditamos na semana passada e nos mostrou como o caminho da vida eterna é o caminho do amor à Deus e ao próximo, deixando bem claro que o próximo é todo aquele que passa por uma situação de necessidade. Um amor feito de gestos concretos: cuidado, atenção, parar para acudir, gastar tempo com o outro na gratuidade…

O texto de hoje é muito simples e breve, descrevendo o modo diferente e complementar de Marta e Maria acolher Jesus. Marta toda atarefada em preparar a comida e Maria sentada aos pés de Jesus escutando sua Palavra.

A finalidade de Lucas é mostrar que as duas atitudes são importantes: o serviço generoso de Marta e a escuta atenta de Maria. Jesus não diz que uma fez certo e a outra errado. A tradição cristã sempre viu nisso duas atitudes igualmente necessárias e complementares: a ação e a contemplação, a escuta da palavra e o serviço generoso.

O discipulado não é só serviço aos outros, por mais importante que seja, mas também dedicar tempo para ouvir a palavra do Mestre aprendendo continuamente as implicâncias. Esse é o sentido do estar aos pés de Jesus.

O evangelista não pretende contrapor a contemplação de Maria e a ação de Marta, mas ressaltar a atitude essencial e distintiva do discípulo: a escuta da palavra do Senhor é condição para que o serviço não se torne estéril agitação.

Jesus é enfático em dizer que “Maria escolheu a melhor parte que não será tirada”. Isso não significa que os afazeres da casa, a preocupação em servir bem não seja uma coisa boa, mas não deve impedir de buscar o crescimento na fé, obtido especialmente pela escuta e meditação da Palavra.

Quantas pessoas dizem não participar das celebrações da comunidade e dos encontros de grupo porque não tem tempo. É mesmo falta de tempo ou pouca fé?

É sempre bom hospedar e cuidar bem das pessoas. A hospitalidade de Abraão dispensada aos desconhecidos acabou em benção: a graça da fecundidade.

Foi edificante e chamou nossa atenção a hospitalidade dispensada aos moradores de rua nas semanas passadas por ocasião das baixas temperaturas. Bonito ver que ainda há capacidade de compaixão e solidariedade, independente de credo ou religião.

Deixemos que a posição de Jesus: “Uma só coisa é necessária e Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada” continue a instigar nossa reflexão e atitudes vitais.

 

Para refletir:

– Eu, no meu dia-a-dia, sou mais levado a imitar Marta ou Maria?

– O que deveria fazer para que em minha vida reine o equilíbrio entre o ser e o fazer?

– Consigo tirar um tempo, mesmo que breve, para escutar a voz do Mestre?

 

Textos bíblicos: Gn 18, 1-10; Lc 10, 38-42; Sl 14(15).

 

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