A Voz do Bispo › 14/05/2021

Gastar as solas dos sapatos

Certamente, em cada um de nós, essa expressão, surge no nosso imaginário um leque de sentimentos, pensamentos, recordações. A lembrança daqueles sapatos que custamos largar de mão porque, embora velhos, eram confortáveis e os usamos até não dar mais.

O papa Francisco, por ocasião da sua mensagem para 55º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado na Solenidade da Ascenção, em 16 de maio, – onde Jesus antes de partir definitivamente para junto do Pai ordena aos seus: “Vão e anunciem o Evangelho a toda a criatura” –  que tem como tema: “Vem e verás, comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são”, manifesta o modo como gostaria que fosse todo trabalho jornalístico no mundo: “é necessário sair da presunção cômoda do ‘já sabido’ e mover-se, ir ver, estar com as pessoas, ouvi-las, recolher as sugestões da realidade, que nunca deixará de nos surpreender em alguns dos seus aspectos”.

Para reforçar esse pensamento traz o conselho do Bem-aventurado Manuel Lozano Garrido aos seus colegas jornalista: “Abre, maravilhado, os olhos ao que vires e deixa as tuas mãos cumular-se do vigor da seiva, de tal modo que os outros possam, ao ler-te, tocar com as mãos o milagre palpitante da vida”.

Esse ‘ir e ver’ como disposição para toda forma comunicativa, foi o método de Jesus que continua muito útil, ainda hoje, para comunicar a boa notícia do evangelho, mas também para denunciar as injustiças presentes no mundo.

“Todo instrumento (de comunicação) só é útil e válido, se nos impele a ir e ver coisas que do contrário não chegaríamos a saber, se coloca em rede de conhecimentos que de contrário não circulariam, se consente encontros que de contrário não teriam lugar”.

“O método ‘vem e verás’ é o mais simples para conhecer uma realidade; é a verificação mais honesta de qualquer anuncio, porque, para conhecer, é preciso encontrar, permitir à pessoa que tenho a minha frente que me fale, deixar que o seu testemunho chegue até mim”.

Depois de falar das oportunidades e insídias na Web, é categórico no afirmar que “na comunicação, nada pode jamais substituir, de todo, o ver pessoalmente. Algumas coisas só se podem aprender experimentando-as. Na verdade, não se comunica só com as palavras, mas também com os olhos, o tom de voz, os gestos. O intenso fascínio de Jesus sobre quem O encontrava dependia da verdade da sua pregação, mas a eficácia daquilo que dizia era inseparável do seu olhar, das usas atitudes e até de seus silêncios”.

A boa nova do Evangelho difundiu-se pelo mundo, graças a encontros pessoa a pessoa, coração a coração: homens e mulheres que aceitaram o mesmo convite feito aos discípulos: ‘vem e verás’. O desafio que nos espera é o de comunicar, encontrando as pessoas onde estão e como são. Não como nós gostaríamos que fossem. Para isso precisamos sair, ir ao encontro, gastar as solas dos sapatos.

Para refletir: Sinto-me responsável por aquilo que comunico e passo adiante? Tenho consciência que toda informação tem repercussão na vida das pessoas e da sociedade? Consigo ir ao encontro das pessoas onde se encontram e aceitá-las como são? Passando a pandemia, que método de evangelização/comunicação vamos priorizar?

 

Textos bíblicos: Ef  1,17-23 ou 4,  1-13; Mc 16, 15-20; Sl 46(47).

 

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