A Voz do Bispo › 25/09/2017

Espiritualidade Bíblica

Há duas semanas escrevia falando da importância da leitura e meditação das Sagradas Escrituras para nós cristãos e sobre a conveniência de frequentá-las assim como frequentamos (dialogamos) com alguém vivo e presente, pois essas palavras não são letra morta, mas palavras vivas, que realizam aquilo que dizem; uma palavra eficaz que faz acontecer, que converte, santifica, transforma e liberta.

Volto a insistir sobre esse tema, pois acredito que seja de suma importância para a renovação de nossas comunidades cristãs, para a evangelização e para o retorno dos afastados. Nós temos a rica experiência dos Grupos de Famílias que há 17 anos caminham alimentando-se da Palavra de Deus e que estão produzindo muitos frutos.

Praticamente, todas as paróquias já fazem sua catequese para a Eucaristia e Crisma a partir da Leitura Orante da Bíblia. Nossos grupos, pastorais e movimentos seguem por esse mesmo caminho na sua motivação espiritual. A Bíblia Sagrada já está sendo o ponto de partida, o grande referencial para a nossa vida espiritual.

Acredito que a medida que frequentamos as Sagradas Escrituras com docilidade de coração e fé, vamos absorvendo o pensamento de Deus e construindo uma relação de amizade profunda e forte com Ele que aos poucos o nosso pensar, sentir e agir vão se conformando ao projeto Dele.

Hoje, certamente, são milhões e milhões os que leem a Palavra de Deus e dela se alimentam. É comum receber e enviar textos breves via meios eletrônicos. Tudo ajuda a fundamentar a vida em princípios simples e sólidos; estimular uma vida de retidão e justiça onde quer que estejamos: em casa, no trabalho, no relacionamento com pessoas, nos negócios…

Não podemos nos contentar em ler a Bíblia, precisamos é seguir as linhas mestras do Deus libertador. À medida que andamos com o Deus da Bíblia, Ele continua guiando nossa caminhada. Quando seguimos nossos próprios caminhos Ele cai fora sem fazer alarde, mas quem perde somos nós.

A espiritualidade bíblica lida com tudo o que acontece na vida. Nada fica fora dela. Ela enfatiza a gratuidade e valoriza o aspecto da festa. Diante da injustiça, fome, pobreza, escravidão nasce o movimento da resistência, ou seja, profecia. Jesus retomou a espiritualidade profética e propagou seus traços na divulgação do Reino de Deus. Há uma espiritualidade contemplativa nas páginas da Bíblia, de escuta e de silêncio interior.

O que dizer da espiritualidade que os salmos nos proporcionam?

Pelas palavras que profere, pelos cantos que canta. Na pessoa do salmista encontramos uma pessoa que tem um contato mais próximo com Deus. Ele faz a experiência deste Deus e, por isso, é capaz de cantar e chamar a comunidade a fazer o mesmo.

Quanto coisa bonita escondida dentro destas páginas Sagradas que nos comunicam a face de Deus, quantas espiritualidades diferentes e, ao mesmo tempo, quanta presença do espírito!

Hoje não é diferente. O povo quer que alguém lhe fale de Deus. E como podemos fazer isso?

Anunciando-lhes a Palavra de Deus. Mas, para que essa possa despertar atenção e impactar os ouvintes precisa ser encarnada e vivida por nós pregadores. Dizíamos há algumas semanas que somente quando ouvida e entendida a Palavra de Deus pode produzir frutos. Portanto, somente quando praticamos a Palavra, quando se torna vida de nossa vida toma visibilidade e se torna luz para o nosso caminho.

Se prestarmos atenção, a Palavra nos coloca constantemente em diálogo com Deus. Vejamos só algumas Palavras da liturgia deste domingo:

“Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto está perto” (Is 55,6).

A narrativa do Evangelho de Mt 20,1-16: o interesse de Deus e sua atitude com os operários de todas as horas.

“Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura… Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente” (Sl 144).

Não é isso tudo muito bonito e convidativo a estabelecer um relacionamento amigável com nosso Deus e Senhor? Será que alguém pode ficar indiferente com esse jeito amável da Palavra de Deus nos interpelar e falar ao coração?

Uma vez que se bebe dessa água não se quer mais outra, porque sabemos por experiência que esta é a melhor: pura, genuína e verdadeira.

Dá-me, Senhor, dessa água que tu tens. És agua viva, meu Senhor. Eu quero água dessa fonte d’onde vens.

Lembremos a resposta dos discípulos a Jesus: “Só tu, Senhor, tens Palavras de vida eterna!”

Caso você ainda não possui a sua Bíblia, não deixe de adquirir essa fonte preciosa que pode saciar sua sede de felicidade.

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório

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