A Voz do Bispo › 11/06/2021

As pequenas coisas

Não poucas pessoas ainda acham que para ser importante e feliz ou mesmo para ter uma vida santa precisam saber muitas coisas, fazer milagres ou coisas grandiosas e extraordinárias. Parece não ser esse o pensamento do evangelho deste Domingo e nem da memória que fazemos de Santo Antônio.

Entre as muitas parábolas que Jesus usa para falar do Reino de Deus essa do grão de mostarda é a mais lembrada e sempre nos faz pensar. Depois de falar da força do Reino comparando-o com a semente lançada na terra pelo homem e que depois germina, cresce e no fim seus frutos são recolhidos em celeiros, continua falando do Reino com outra parábola: “O Reino de Deus é como um grão de mostarda, que ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. Quando é semeado, cresce e se torna maior que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra” (Mc 4, 31-32).

Vivemos num mundo onde parece que para alguém ser reconhecido precisa fazer coisas grandes e impactantes, que deem ibope e visibilidade. Na lógica da parábola a grandeza é consequência da humildade, da pequenez, até mesmo da insignificância. O grão de mostarda é a menor de todas as sementes, mas se torna a maior das hortaliças e, além disso, seus frutos se torna abrigo para os pássaros do céu.

Tanto a nível profissional, como humano e mais ainda espiritual, o crescimento se dá passo-a-passo, pouco a pouco, com muita paciência e persistência nas iniciativas e compromissos assumidos. Os santos que veneramos em nossas comunidades alcançaram certos ideais graças a uma série de pequenas coisas levadas a sério no cotidiano de suas vidas. Só pensarmos nos santos mais populares e conhecidos como São Francisco, Santo Antônio, São João Calábria, Santa Clara, Madre Teresa de Calcutá, etc. Eles chegaram à santidade pela fé em Deus e pela caridade concreta com as pessoas necessitadas de solidariedade que bateram as suas portas.

Por insignificantes que possam parecer, os gestos de caridade, por mais simples que sejam, manifestam e sinalizam o Reino e fazem grande diferença no mundo. Podemos dizer que o Reino é conquista humana, pois conta com nossa perseverança e, ao mesmo tempo, dom de Deus, pois é Ele a fazer crescer as sementes lançadas no coração das pessoas a quem servimos e anunciamos o Evangelho de Jesus.

Como Santo Antônio e muitos outros, combatamos com docilidade o bom combate da fé, certos que os frutos, em nós e nos nossos irmãos, serão abundantes. Sim, a vida é feita de pequenas coisas, acompanhadas de muito amor.

Para refletir: O que esse falar em parábolas de Jesus desperta em mim? Que lições ficam para a minha vida destas duas parábolas? Quais são os meus sonhos? Como penso realiza-los?

Textos bíblicos: Ez 17, 22-24; 2Cor 5, 6-10; Mc 4, 26-34; Sl 91(92).

 

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