A Voz do Bispo › 26/07/2019

Amizade e fé

Há dias temos comemorado o “dia do amigo”. No Evangelho deste final de semana, Jesus serve-se da figura do amigo para nos falar da amizade de Deus. Amizade esta que se expressa na confiança e fé; persistência na oração; apostar na Providência.

Depois de ensinar os discípulos o Pai Nosso, Jesus acrescenta: “Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo a meia-noite e lhe disser: ‘amigo, empresta-me três pães, porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho a lhe oferecer’, e se o outro responder lá de dentro: ‘Não me incomodes! Já tranquei a porta…’, eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário’”.

Antes de seguir com o texto, reflitamos um pouco sobre a amizade, a partir do pensamento do Papa Francisco falando aos jovens no seu último documento pós-sinodal, Christus Vivit. Afirma ele: “A amizade é uma dádiva da vida e um dom de Deus. Através dos amigos, o senhor nos vai polindo e nos vai amadurecendo… Eles são um reflexo do carinho do Senhor, de seu consolo e de sua presença amável” (151).

“A amizade não é uma relação fugaz ou passageira, mas estável, firme, fiel, que amadurece com o passar do tempo. É uma relação de afeto que nos faz sentir unidos e, ao mesmo tempo, é um amor generoso, que nos leva a buscar o bem do amigo” (152) como vimos acima.

“É tão importante a amizade, que o próprio Jesus se apresenta como amigo: ‘Já não vos chamo servos… eu vos chamo amigos’ (Jo 15,15)”. A amizade com Jesus é inquebrantável. Ele nunca se vai, embora, às vezes, parece fazer silêncio. Quando necessitamos, se deixa encontrar por nós e está ao nosso lado onde quer que vamos…”.

Que bom pensar assim! Não só está ao nosso lado, mas atende nossos pedidos. É o que mostra na sequência do Evangelho: “Portanto, eu vos digo, pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá”.

E para mostrar como isso é verdade e só depende da nossa fé e persistência na oração, conclui com um exemplo elucidativo: “Será que alguém de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Se pedir um ovo, lhe dará um escorpião?”

E conclui: “Se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!”

Certos que Deus nos ama como amigos seus, confiemos Nele e nada nos faltará!

 

Para refletir:

– Eu tenho amigos? Como é minha amizade?

– Minha amizade com Deus como se manifesta? Relaciono-me com Ele como amigo?

– Costumo recorrer a Deus através da oração confiante? Acredito na Providência divina?

 

Textos Bíblicos: Gn 18, 20-32; Lc 11, 1-13; Sl 137(138).

 

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