Notícias da diocese › 12/01/2021

Dois anos entre os indígenas: “Boa Nova é acolher e ser acolhido”, conta o seminarista Edson Boff

“Imensa é a alegria em partilhar com minha Diocese de Osório a experiência missionária na qual estive profundamente imerso nos últimos dois anos”, responde ao convite do Informativo Diocesano, o seminarista Edson Boff, ao retornar para o Litoral Norte gaúcho após período de missão na Amazônia. Conta ele sobre um lugar extremamente precioso por muitos aspectos, desde sua beleza natural até a riqueza de um Povo de Povos, a Diocese de São Gabriel da Cachoeira.

Fotos: Arquivo Pessoal

O seminarista diz que muitos o questionam sobre o que exatamente fez em São Gabriel. O que ensinou? Catequizou? E, segundo ele, a melhor resposta para essas perguntas é: “fui aprendiz!”, responde convicto.

“Aprendi o sentido de diversidade – onde tudo parecia igual – e, desse modo, pude reconhecer os verdadeiros tesouros da região amazônica. Em São Gabriel da Cachoeira, vivem cerca de quarenta mil habitantes, a imensa maioria indígena, divididos em 23 etnias, ou seja, povos diferentes, com seus respectivos estilos, costumes, línguas e modos de ver o mundo. Seria motivo de confusão o fato de, em determinado lugar, a cultura variar de família para família? De modo algum! São Gabriel representa a diversidade que aceita o melhor do outro – inclusive dos cristãos”, partilha Boff.

O seminarista conta que aprendeu também o significado de respeito ao diferente. A vivência entre os povos do alto Rio Negro alerta ao “mundo dos brancos” a necessidade de eliminarmos estereótipos e pré-conceitos, que é o caminho seguro para uma convivência harmônica e igual entre todos. Esse processo é possível quando deixamos de julgar “nossa cultura” como a melhor, mais importante, ou até “correta”. Não menos importante, devemos repensar a ideia estereotipada que nos vem à cabeça quando ouvimos a palavra “índio”, que muitas vezes, ou quase sempre, fere o próprio significado da palavra “pessoa”.

“Afirmo que dois anos entre povos indígenas é pouco tempo, para quem prefere medir permanência através de quantidades. Quanto à qualidade, permanecer em São Gabriel, seja o tempo que for, convém para compreender aquilo que tanto repetimos: “Ele está no meio de nós”. Quando estamos convictos de que a Verdade não é coisa, mas uma pessoa, Jesus Cristo, presente em cada pessoa, somos capazes de conhecer o mundo do outro com respeito e veneração, não impedindo que o outro seja ele mesmo e, mais ainda, tornamo-nos capazes de nos alegrar com o diferente”, afirma o seminarista.

Edson Boff, estando na caminhada de seminário, afirmou que a importância de uma experiência intensa como a que viveu é inquestionável, sobretudo quando se olha para o objetivo de se “formar um padre” e para as funções que este assumirá de acordo com o Evangelho. E esta mesma reflexão deve ser ampliada para a pergunta “que tipo de cristão/batizado pretendo ser neste mundo de tantos mundos?”.

“Espero que consiga continuar junto ao mundo dos vencidos e marginalizados que, assim como os povos indígenas de São Gabriel, lutam com coragem pela sua existência, dia após dia”, declara o seminarista que retornou em janeiro de 2021 para a continuação de seus estudos no Seminário Maior Rainha dos Apóstolos em Viamão.

Confira alguns destaques da trajetória do seminarista Edson Boff na Amazônia:

 

1 Comentário para “Dois anos entre os indígenas: “Boa Nova é acolher e ser acolhido”, conta o seminarista Edson Boff”

  1. RONEL ALBERTI DA ROSA disse:

    Isto é trabalho verdadeiro de igreja-comunidade. Para amar a Deus, é preiso respeitar e amar sua obra, a criação, e os humildes e pequeos que nela habitam.

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